Noite passada foi uma das noites mais complicadas que ja havia passado. Noite de papo denso, de sentimentos tristes, e muita tensão após um silêncio em hora errada.
Após o silêncio, o medo de ter cometido algum erro, tivesse sido por omissão de palavras ou por excesso delas, me atormentou da forma mais dolorosa que qualquer ser humano pudesse sonhar em ter. Esse medo sussurrava no meu ouvido, e perturbava meus pensamentos.
Clamei a Deus pela vida de alguém que não crê, pedi que Ele guardasse aquela vida como se fosse a minha, implorei pra que lhe fosse concedida algumas horas tranquilas de sono, pra que todo aquele "mal" que circulara a mente de alguém que pensa na morte com facilidade, fosse afastado, pelo menos, naquela noite.
Mas como humana que sou, minha preocupação foi maior que o meu sono,que se foi, o choro não parava, o tormento não ia embora. Mandei um SMS, já esperava não ter resposta, mas o recado foi dado... aquela vida era preciosa pra mim, é preciosa e vai ser pra todo sempre.
Acabaram as lágrimas, veio a exaustão. Adormeci por no máximo 2 horas. "Será que o pior aconteceu?" - Foi a primeira coisa que veio na minha mente ao abrir os olhos. Tomei meu café. Não adianta, quando estou preocupada, nada para dentro de mim, a não ser a preocupação. No carro, fecho os olhos no banco do passageiro, esperando chegar no escritorio pra mais um tedioso dia de trabalho. Chegando la e imediatamente ligo o pc... a tensão, me corroendo: "Sobe janelinha, sobe, pelo amor de Deus" ...
Mano chegou no escritorio: "Você não sabe quem cometeu suicidio essa noite!" - Pronto. Era a última frase que eu poderia ouvir hoje. Minhas pernas amoleceram, o sangue foi do congelamento à combustão em segundos, antes mesmo de saber quem tinha sido a vítima, comecei a chorar compulsivamente. Não era justo, ouvir isso depois de uma noite dessas.
Já havia visto o cara algumas vezes. Era parente de um quase-irmão meu, deixou filhos, empresa, transferiu os problemas dele para outras pessoas, e fim. Liguei para o meu quase-irmão. Ele estava bem, cuidando das coisas, esperando a policia, tentando acalmar a familia. Ok. Ele não entendeu o porque de eu estar chorando. Ninguem entendia. Deixei que pensassem que era por indignação. Minha cabeça estava em outro lugar, desculpa.
Mas, enfim, para meu completo alivio, a janelinha subiu. Chorei mais. Mas agora de alivio. "Obrigada, Deus, por me ouvir mais uma vez" - Foi a primeira frase que me veio a mente. Desculpas e desabafos foram ditos. "O que eu mais queria era te dar um abraço apertado e te garantir que tudo vai ficar bem!" [Pode apostar que eu ainda farei isso]
E o sorriso voltou. De ambos os lados. E o dia passou. E outros papos vieram.
E a vida continua. Efêmera. Mas é a nossa vida, única, preciosa. A arte de viver está em desfrutarmos dos momentos, sejam eles bons, ruins, péssimos ou maravilhosos. Talvez o segredo esteja em apenas saber como desfrutar dessa responsabilidade. Estamos aí para aprendermos juntos.
Não há nada mais triste do que querer desistir disso. Alguns desistem. Mas e depois? Isso é uma outra historia... [4:10am]
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